Gata de Rodas - São Paulo Cycle Chic

quinta-feira, 19 de março de 2009

Caminhos marginais

Pedalar nas pontes sobre as marginais é sempre uma aventura: a proximidade de vias expressas faz os motoristas ficarem um pouco enlouquecidos, e há menos sombra do que nas ruas secundárias. E daí? ;-p

Muitas vezes, as ruas do Alto da Lapa fazem parte dos meus trajetos. É um lugar adorável para pedalar: sombras, menos tráfego, carros mais lentos e sempre a companhia ocasional de algum ciclista. E uma placa de cair de amores, rara nessa cidade.

Express rides

Few places can be as bike unfriendly as the Marginais - the express highways that run near each Tietê river waterfront, in São Paulo. And so what? We'll keep on cycling anyway!
Luckly, there are also lovely streets in calm neighbourhoods that welcome our bikes...

quarta-feira, 18 de março de 2009

WNBR - Pedalada Pelada

Num sábado extremamente ensolarado, resolvi pedalar usando pele. A própria pele, a mesma que tento manter salva no dia-a-dia, pedalando.



Depois do manifesto em duas rodas, almoço no Athenas, perto da Paulista, e de volta o vestido vermelho sobre a pele. Mas a pintura pedindo paz durou até a noite. Veja um relato completo do dia aqui.



Agora, depois de um momento de protesto, voltamos à rotina de pedalar com elegância e graça, para tornar o trânsito mais charmoso e agradável.

World Naked Bike Ride

In World Naked Bike Ride days, what can be fancier than cycling in your own fur?

domingo, 15 de março de 2009

O Manifesto Cycle Chic

O termo foi cunhado pelos autores do Copenhagen Cycle Chic, em 2007. O blog é referência e inspiração para outros do mundo todo - inclusive para o Gata de Rodas. Lars, Mikael e Marie são autores também do divertido Manifesto Cycle Chic, traduzido para o português aí embaixo. Inspirem-se! Mas não levem muito a sério...

• Eu escolho pedalar chique e, sempre que puder, escolherei Estilo em vez de Velocidade.

• Eu assumo minha responsabilidade em contribuir visualmente para uma paisagem urbana esteticamente mais agradável.

• Estou ciente de que minha mera presença na paisagem urbana irá inspirar outros sem que eu seja rotulado como "cicloativista".

• Pedalarei com graça, elegância e dignidade.

• Escolherei uma bicicleta que reflita minha personalidade e estilo.

• Irei, contudo, considerar minha bicicleta como meio de transporte e como um mero complemento do meu estilo pessoal. Permitir que minha bike chame mais a atenção do que eu é inaceitável.

• Eu irei garantir que o valor total de minhas roupas sempre seja superior ao valor total de minha bicicleta.

• Colocarei acessórios de acordo com os padrões de uma cultura ciclística e comprarei, quando possível, um protetor de corrente, pedestal, guarda-saia, paralamas, campainha e cesta.

• Respeitarei as leis de tráfego.

• Recusarei usar e possuir qualquer forma de "roupas de ciclismo". A única exceção sendo um capacete - caso eu escolha exercitar minha liberdade pessoal e escolher usar um.

Notas pessoais sobre o manifesto

Em Copenhagen, faz muito sentido a roupa custar mais caro que a bike. A geografia da cidade permite se deslocar com uma bicicleta simples e pesada, ao mesmo tempo em que casaco de pele não é só uma questão de estilo. O inverno pede roupas mais grossas e quentes, e permite uma sofisticação maior. No verão brasileiro, uma sandália elegante e um vestido florido são a tradução perfeita do espírito do cycle chic e não necessariamente custam caro.

E sobre as roupas de ciclismo... eu as incorporei em parte no meu guarda-roupa. Leggings e shorts de lycra são a parceria ideal para vestidos e saias (especialmente quando venta!). E não dispenso uma boa trilha ou um pedal mais esportivo. Ciclistas vestidos para o treino são extremamente elegantes - talvez não na paisagem urbana, mas perto de jogadores de futebol ou hockey, ganham disparado.

Ainda estamos bem longe de poder dispensar luvas e capacetes, ou sinalização ostensiva. Mas não deixo de sonhar...

terça-feira, 10 de março de 2009

Saindo de rodas por aí

Eu achava que ia fazer o primeiro blog de cycle chic do hemisfério sul, quando achei o São Paulo Cycle Chic. Bom sinal: se pedalar como parte da vida urbana ainda não é uma realidade consumada para a maior parte da população de São paulo, é um desejo crescente.

Abaixo da linha do Equador, subir numa bike para ir ao trabalho, para a escola ou para o cinema se torna um exercício de paciência e boa vontade. São Paulo viu em 2008 uma explosão em duas rodas nas ruas. Ao final do ano, mais de 300 mil deslocamentos diários já eram feitos de bicicleta, mesmo com poucas ciclovias (que ligam o nada a lugar algum), nenhuma ciclofaixa e alguns motoristas carniceiros. Nesse ano, a cicloativista Márcia Prado deixou a triste lembrança da primeira ghost bike do Brasil na Avenida Paulista. Tristezas à parte, há muito o que fazer para as ruas ficarem mais amigáveis, seguras e agradáveis.

Modas lá do hemisfério norte costuma chegar aqui com atraso. Duas delas me deixam com água na boca e me fazem torcer para colarem por aqui o quanto antes: o cycle chic, que é um tapa de luva de pelica na ditadura da lycra, e o slow biking, que coloca a elegância antes da velocidade e o acesso democrático às ruas antes do desempenho. Essas duas tendências têm por pano de fundo a vontade de poder se locomover com tranquilidade pelas ruas urbanas, acessíveis também a idosos e crianças, por exemplo, e não apenas a atletas treinados para poder competir com os carros.

Venho para o trabalho de bike há pouco tempo, e como a maioria dos iniciantes, vinha com roupas de ciclista, trocadas no local de destino por roupas comuns. Até que num dia de sol, vários compromissos e agenda apertada, resolvi ganhar tempo saindo já com a roupa do trabalho. Como sempre, houve um ou outro motorista mal educado, tirando fina ou dando fechada. Mas aconteceram duas novidades: a primeira foi ninguém gritar pela janela do carro “bom passeio!”, o que me faz pensar que essa postura ajuda a criar uma cultura da bike como meio de transporte; e houve a menininha na janela do carro.


Ela devia ter uns 9 anos e parecia muito comigo quando tinha a idade dela. Passando pela avenida Imperatriz Leopoldina, perto do Ceagesp, um carro emparelhou e ela esticou o pescoço pela janela, olhando com admiração e curiosidade a ciclista de capacete, saia preta e blusa colorida, com colar e pulseira. O trânsito fluía e a cada semáforo aberto, o carro e a bike emparelhavam e se ultrapassavam; a cada emparelhada, mais uma espiadela sapeca. Até que eu alcancei o carro e acenei, acionando o trim-trim da bike. Os olhinhos faiscaram, e na emparelhada final, ela acenou e gritou “tchau!” com um sorriso enorme. Será que ela se viu numa bike, pedalando livremente nas ruas de São Paulo, quando for maior? O trim-trim pode não ser o acessório mais importante de segurança, mas definitivamente é o mais importante de felicidade.





Cycling around

This is one of the first attempts to create a cycle chic blog in Portuguese. Besides, I couldn't find blogs from our neighbouring South America countries either... Cycle chic is starting to happen in a more noticiable way in our biggest cities like Rio de Janeiro or São Paulo, and more than showing it, in our colorful and warm way, this blog wants to encourage more people to use their bikes as naturally as they do when taking a bus or a car to get somewhere.

That may sound crazy to locals, since commuting in bikes is not part os our culture yet and the traffic is totally car-centered (not mentioning the agressive drivers that ocasionally leave their mark). But it's really easy to find that there's a huge fascination about bikes as well: during one of my first cycle chic rides, a sweet 9-year-old girl was crazy about my bike and my dress. She waved and smiled every time I passed through her daddy's car open window. Greeting her with my bell and waving back showed that we may be on the way to a prettier, more comfortable and human São Paulo.